Quais os efeitos colaterais da quimioterapia no câncer de intestino?

É importante lembrar que os protocolos de tratamento oncológicos são diferentes e com várias particularidades entre si – a quimioterapia indicada para pacientes com câncer de mama, por exemplo, não é a mesma do câncer de intestino. E, mesmo entre os pacientes com câncer de intestino em situação que pareça semelhante, os protocolos variam de acordo com a idade e comorbidades do paciente, portanto seu oncologista é a pessoa mais indicada para retirar as suas dúvidas e esclarecer/orientar sobre seus sintomas.

De uma forma geral, o tratamento de quimioterapia para câncer colorretal possui efeitos colaterais semelhantes entre si, com algumas particularidades de acordo com a combinação estabelecida em alguns protocolos.

Na maioria dos casos não há queda de cabelo expressiva (alopécia) assim como ocorre em alguns protocolos de câncer de mama, por exemplo, e os sintomas não são limitantes. Ou seja, muitos pacientes conseguem levar uma vida ativa, mantendo atividades de rotina como trabalho e estudos, de uma forma adaptada.

De qualquer forma, é muito importante falar sobre efeitos colaterais e orientar sobre as medicações e/ou condutas a serem tomadas em cada situação. Lembre-se que a reação a cada tratamento é individual e seu oncologista deve acompanhá-los periodicamente a fim de avaliar a necessidade de adaptação e/orientação para o ciclo seguinte.

Os efeitos secundários gerais mais frequentes são: 

  • Mal estar e Fadiga, que ocorrem principalmente nos 5 dias após a quimioterapia
  • Náuseas ou vômitos 
  • Diarréia 
  • Dor de cabeça
  • Boca dolorida ou úlceras /aftas na boca 
  • Perda de apetite e/ou perda de peso 
  • Distúrbios do sono
  • Flatulências ou má digestão
  • Redução nas contagens de células sanguíneas, o que pode provocar anemia, sangramento e infeções. (Por isso é necessário realizar exame de sangue antes de cada aplicação para checar se não há alterações limitantes a se realizar o tratamento.)

Abaixo são listados outros efeitos secundários mais específicos que podem ocorrer de acordo com medicamentos específicos no tratamento de câncer colorretal.

A)  Tratamento contendo quimioterapia oral (capecitabina ou Xeloda):

  • Sensibilidade da pele à luz solar: a exposição solar deve ser evitada durante pelo menos um ano após a conclusão do tratamento. (obs.: Ocorre em maior frequência com o Capecitabina) 
  • Síndrome palmo-plantar: a pele das  palmas e solas apresenta vermelhidão e dor; além disso pode descamar ou surgirem fissuras ou rachaduras.  A síndrome é geralmente ligeira e ocorre conforme o tempo de uso da medicação. Para evitar que surjam ou se agravem os sintomas, é recomendada utilização do creme de uréia desde o início do tratamento.

B)  Tratamento contendo irinotecano (p.ex: FOLFIRI)

  • Olhos lacrimejantes
  • Diarréia 
  • Aumento da produção de saliva
  • Cólicas abdominais
  • Queda ou enfraquecimento do cabelo 

C)  Tratamento contendo oxaliplatina (p.ex: FOLFOX / XELOX / FOLFOXIRI

  • Entorpecimento ou dormência dos lábios, mãos ou pés
  • Formigamento nas mãos ou pés
  • Sensibilidade ao frio, que pode se manifestar como dor de dente, dor na mandíbula ou dor na garganta
    • Obs.: Estes efeitos secundários específicos podem ser persistentes após o tratamento.

D)  Tratamento contendo medicamentos biológicos (Terapia complementar associada para reforçar a quimioterapia). P. ex: Cetuximab/ Panitumumab

  • Ressecamento da pele e lesões cutâneas do tipo acne ou erupções podem ocorrer na maioria dos doentes
  • Hiperemia conjuntival (vermelhidão) e ressecamento ocular

E)  Tratamento contendo medicamentos biológicos (Terapia complementar associada para reforçar a quimioterapia). P. ex: Bevacizumab / Aflibercept

  • Hipertensão e proteinúria (proteína na urina) – que são acompanhadas na consulta e durante o tratamento
  • Outros efeitos secundários raros, mas graves incluem a trombose venosa e arterial, a hemorragia das mucosas (boca, nariz, vagina, reto) e problemas na cicatrização de feridas. 
    • Estes sintomas devem ser notificados ao seu oncologista

Além disso: Não é incomum que os pacientes tenham sintomas de ansiedade, depressão, dificuldade de concentração. Em alguns casos pode ser necessário medicamentos específicos , porém é importante lembrar que o aconselhamento psicológico especializado é aliado valioso nestas situações!

Durante e após o tratamento, a alimentação pode tornar-se problemática devido à perda de apetite, a mudança na percepção do gosto dos alimentos, náuseas e a um mal-estar geral. Os nutricionistas podem dar aconselhamento sobre a nutrição adequada inclusive com dicas e/ou orientação de suplementos.

VOCÊ SABIA?

Os efeitos colaterais são geralmente manejáveis com o uso de medicações sintomáticas – ou seja, para uso em caso de necessidade, porém na maioria dos casos é indicado o uso de medicações de uso obrigatório após a aplicação de quimioterapia. Estas medicações são modernas e tem o objetivo de reduzir o enjôo e vômitos, e mal estar que eram muito comuns quando se fazia quimioterapia no passado.

Em geral as consultas são periódicas, para avaliação clínica e de exames de sangue recentes a fim de se avaliar a segurança de seguir para o ciclo seguinte.

Lembre-se: Seu oncologista é a melhor pessoa para orientá-lo no manejo deste sintomas.

Dúvidas? Anote e vamos conversar melhor na consulta 😉

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